Hoje a sensação de impotência, insignificância percorreu toda minha sinapse, meu corpo ficou entorpecido, por longos minutos o pensamento sobre aquele menino me atravessou, a dor e o sofrimento incomensurável que ele sentia levou o brilho dos seus olhos.
Uma dor que assola a sociedade.
Vivemos em tempos onde não mais o que nos faz sofrer são as pestes e sim as comparações, o desejo de ter para não ter mais o desejo e chegar à exaustão de desejar, o sorriso mais brilhante, a cor do olho da moda, a roupa que está em alta, as vidas felizes dos posts dos “rells”, a melhor comida, a melhor nota, a melhor, a melhor…
O vazio das redes sociais, o vazio das relações humanas, o vazio dos sonhos nos transformamos numa casca onde tudo se torna tão acessível aos olhos que esquecemos do outro, aquele que está ao nosso lado que pede socorro a cada sorriso forçado pela perfeição exigida pelo momento de alucinação em que vivemos, onde acreditamos que a felicidade está no fim e nunca no caminho, no próximo namoro, no outro emprego, na outra família, esquecemos que tudo se constrói arduamente.
Cuidamos do corpo, esquecemos da mente, o momento de descanso, o ócio que cria, a brisa no rosto o olho no olho, o abraço apertado, o bom dia, boa noite de quem nos ama e quer bem, a vida nunca está no hoje mas sim no passado e no futuro.
E aquele menino se foi, esquecemos de olhar para o lado e estender a mão e entender que agora nada mais importa por que vida lá não há, estamos de parabéns, o egoísmo, a vaidade, a inveja, o desprezo, o abando, a falta de compreensão a liquidez venceram.

Augusto Almeida
Acadêmico de Psicologia






