Quando entregamos nossos filhos numa escola, depositamos ali toda a nossa confiança. Entregamos sonhos, medos, cuidados — e um pedaço do nosso coração. Em Araucária, em uma escola de educação infantil, essa confiança foi rasgada com violência.
Desde ontem, segunda, 07, a cidade se chocou com a notícia de um menino de apenas 4 anos, autista, não verbal e dependente de apoio constante, que foi encontrado amarrado dentro do banheiro da escola onde estudava. Ele estava preso com barbantes, fitas e cinta. Um silêncio forçado que gritava aos olhos de quem viu.
Na situação, que se iniciou com uma denúncia que chegou até o Vereador Leandro da Academia (Solidariedade), e que sabiamente acionou o mais rápido possível os órgãos do Conselho Tutelar e Guarda Municipal, ao chegarem no local da escola e se depararam com a traumatizante situação, a professora responsável foi presa em flagrante, acusada de tortura. O caso gerou revolta imediata.
Mas o horror não parou.
Diante da repercussão nacional que a situação tomou, outra denúncia surgiu, as vezes calada pelo medo, uma pessoa que presenciou cenas que jamais poderíamos imaginar em ver, expos outra denúncia.
Na tarde desta terça-feira, 08, outra denúncia abalou ainda mais a comunidade. Uma menina de apenas 3 anos, aluna da mesma escola, apareceu com as mãos amarradas, em uma imagem divulgada pelo pai da criança. Conversas publicadas pelo pai nas redes sociais revelam que, além das amarras, a pequena teria recebido tapas no rosto e teve a boca lavada com álcool — uma cena cruel que parece saída de um pesadelo.
Sim. Uma criança, de três anos.
O pai relatou em suas postagens que a filha voltou para casa assustada, com marcas e comportamento alterado. Ao confrontar a escola, recebeu respostas vazias e justificativas absurdas. O caso só veio à tona porque ele decidiu romper o silêncio.
Hoje, dois lares choram. Duas crianças carregam marcas que vão muito além da pele. São feridas na alma, no olhar, no futuro.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante o direito absoluto à dignidade, ao respeito, à proteção à vida e à saúde. O que aconteceu em Araucária não é falha pedagógica, não é disciplina. É crime. É tortura.
Essas histórias não são apenas notícias. São pedidos de socorro. São gritos que precisamos ouvir.
Que essas vozes ecoem mais alto que qualquer justificativa. Que a justiça seja feita. E que nenhuma criança precise temer ir para a escola.
Que a dor dessas famílias jamais seja esquecida. Que o silêncio nunca mais seja a resposta.
Vamos estar evitando publicar e replicar ainda mais as imagens chocantes que estão circulando nas redes sociais, estas crianças precisam de apoio neste momento, não de mais exposição.
ESCOLA
A escola que é particular e fica no bairro Iguaçu, em Araucária, onde o menino e a menina estudavam, ainda não se manifestou oficialmente sobre o incidente. A diretora, que está afastada por motivos de saúde, repudiou o ocorrido por meio das redes sociais, afirmando que a instituição está adotando todas as providências cabíveis. A coordenadora da escola prestou depoimento à Polícia Civil e foi liberada. A instituição afirma estar devastada com a situação, que nunca havia enfrentado antes. O caso segue sob investigação policial, com acompanhamento da Defensoria Pública, Ministério Público e Conselho Tutelar, que reforçam a importância da denúncia imediata em casos de maus-tratos.
Em atualização.
Onde denunciar casos de violência contra crianças?
-
Conselho Tutelar: órgão municipal responsável por zelar pelos direitos das crianças e adolescentes.
-
Disque 100: canal nacional para denunciar violações de direitos humanos.
-
Delegacia de Polícia Civil: em casos de violência física ou psicológica.
-
Ministério Público: para acompanhar e fiscalizar a apuração.
Por Felipe E. Vecchietti | Canal Araucity






